Wednesday, March 27, 2019

11 REGRAS DO ESTUDO ACADÊMICO

Petrus van Mastricht (1630-1706)


Com respeito ao estudo acadêmico da teologia, tocaremos, como que com um alfinete, apenas em algumas particularidades:

  1. Tanto pelo que foi dito quanto pelo que ainda o será, claramente pressupomos a excelência, utilidade, necessidade, santidade, grandeza e mesmo a dificuldade da teologia.
  2. No estudante, o caráter teológico que se exige é que seja ensinável, diligente, piedoso e apto para a teologia. Esse caráter resulta de uma habilidade de julgamento, capaz de discernir coisas espirituais; confiabilidade de memória, pela qual tantas e tão variadas coisas sejam retidas; e uma regularidade das afeições na pureza e constância, com a qual alguém se inclina rumo às coisas santas não relutantemente, mas com uma disposição santa.
  3. O estudante tem um objetivo teológico diante de si, não riqueza, glória, prazeres ou ócio, mas, ao contrário, a glória de Deus, a edificação da igreja e sua própria salvação. Adicionalmente,
  4. Em seu próprio estudo, um currículo introdutório tríplice deve vir primeiro: filologia, consistindo no grego, hebraico, aramaico e latim; filosofia, consistindo de lógica, física, metafísica, matemática e filosofia prática; e história, que inclui geografia e cronologia como se fossem suas duas asas.
  5. O estudo bíblico deve seguir essas preparações, ou, antes, juntar-se a elas. Ele deve ser tanto um estudo superficial salpicado entre outros estudos, como também um estudo exegético e cuidadoso – no qual o contexto é investigado, as dificuldades são notadas e clareadas, e conclusões são esboçadas, tanto teóricas quanto práticas. Ao mesmo tempo,
  6. Uma teologia positiva e dogmática deve ser acrescentada, tanto uma teologia catequética quanto uma teologia sistemática de lugares-comuns.
  7. Uma teologia elêntica deve seguir. Esta consiste tanto de uma polêmica geral, que interage com muitos oponentes, como uma particular, que interage com cada um deles individualmente – com incrédulos (pagãos, muçulmanos, judeus e ateus), e cismáticos (arminianos, luteranos, brownistas, independentes, colemanistas, e outros). E deve haver também
  8. Uma teologia prática que seja moral (relacionada aos vícios e às virtudes), ascética (relacionada ao exercício da piedade), casuística (relacionada aos casos de consciência), e política (relacionada ao governo da igreja). O próximo é
  9. A teologia antiquária, que traça a história eclesiástica e considera os pais da igreja e os concílios, cada um em seu próprio tempo. Ademais,
  10. Em todas essas coisas, que o estudante se ocupe em ouvir, ler, meditar, orar e disputar. E
  11. Esse estudo deve dividir os deveres de acordo com uma certa ordem durante os anos, dias e horas. Deve ser o suficiente ter tocado nessas coisas que são explicadas em seu folego próprio por outros, tais como Erasmo, Hyperius, Crocius, Alsted, e aquele que deve ser considerado acima de todos, Voetius.

Fonte: Petrus van Mastricht, Theoretical-Practical Theology: Prolegomena. Grand Rapids: RHB, 2018. p. 94-95.

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